orkut, minha primeira rede social chega ao seu fim

Minha primeira rede social chega ao seu fim. Deixo minha homenagem à rede que me deu amigos, risadas e scraps pra encher folhas de papel até a lua!

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Crônicas da Copa | 1994, minha primeira estrela

Começo hoje uma pequena série de textos sobre a Copa do Mundo. Como, pelo visto, vai ter Copa mesmo e não há quem não sinta o coração bater forte com o grito da torcida, me entrego às lembranças de um evento que sempre foi marcante na minha vida.

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Bananas e bananas

A polêmica do momento é a discriminação racial. Aconteceu que Daniel Alves foi mais uma das vítimas do preconceito: atiraram-lhe uma banana na hora de cobrar um escanteio. Novidade nenhuma. Quantas vezes já vimos coisas iguais ou semelhantes? A reação dele é que foi inovadora. Tomou posse do “se te atirarem um limão, faça uma limonada”, pegou a banana e a comeu. Ironizou a humilhação pretendida. 
Gosto do Daniel Alves. Gosto quando ele joga, apesar de minhas opiniões futebolescas não fazerem muito sucesso. E mais ainda, gostei de como ele contornou a situação. Até aí a coisa estava acabada. Pronto. Fim. As pessoas não deixariam de ser preconceituosas por ele ironizar a banana. Mas houve, sim, uma forma de se impor, de responder, de fazer frente a essa atitude, Houve uma resposta, mas não seria a solução.
Mas onde há oportunidade, há mídia. E aí vem a tal da hashtag mais babaca dos últimos tempos “somos todos macacos”. Preciso explicar que isso não ajuda em nada? Espero que não. Vamos pelo mais simples de tudo, então: não somos macacos. Somos humanos embora o bicho seja muitas vezes mais digno que os homens – vide o fato de alguém ter coragem que atirar copos, garrafas e bananas em um campo de futebol, vide o fato de que preconceito racial é MUITO mais do que atirar coisas em um jogador de futebol – e, sendo humanos somos iguais e devemos nos respeitar
A tal campanha ganhou espaço e virou moda tirar foto comendo banana e a tal hashtag lá. Mas, não. Eu não sou macaca. Nem você, nem o Daniel Alves, nem o Tinga (aliás, cadê a hashtag do Tinga? Ela podia voltar, substituir a nova), nem nenhuma outra pessoa. Já ouvi dizer que no processo evolutivo seres humanos e macacos vieram de um mesmo ancestral. Mas também já ouvi dizer que uma das características dos humanos é serem racionais e criarem laços afetivos. Não vejo muita racionalidade em tentar ofender uma pessoa dessa maneira. E muito menos afetividade. Onde está a humanidade?
Não posso entender como uma campanha dessas poderia funcionar. No Brasil não há racismo? Que legal, eu queria conhecer o Brasil em que você mora. Lembremos que o racismo se manifesta de várias outras formas, algumas delas bem menos explícitas. E todas elas devem acabar.
Mas não esperem que eu tire uma fotos dessas, caros leitores. Eu não poderia! Mas antes de tudo, antes  do fato de que não posso sequer acreditar em uma campanha dessas existir, há um problema técnico: eu odeio banana. Em minha lista de preferências, bananas estão no último lugar, quase caindo da lista. Ofereçam-me melancia, pera, maçã, manga, uva, pêssego, nectarina… Mas banana, não. O sabor não me agrada e muito menos a textura. 
Outra coisa que eu detesto é banana. Chame um homem de banana e saberá do que eu digo. O banana é uma pessoa molenga, frouxa, tipo alguém que não tem força de vontade – nem sequer de pensar e questionar. O banana aceita, teme, vai na onda. E aí muito banana decidiu “lutar contra o racismo” com suas fotos de bananas, enquanto reforça todos os tipos de discriminação. É aquela pessoa que ofende as pessoas que têm outra cor de pele, trata mulheres como seres inferiores, debocha de quem tem outra religiosidade ou visão política. E depois faz campanha no Instagram. O banana se autoafirma em sua pequena área de conforto, geralmente localizada historicamente onde há privilégios e não sai dela nem quando quer lutar por algo.

Banana murder por candysores, daqui.

Então, lanço minha humilde campanha: banana, não. Banana pra ofender, não. Banana para sermos todos macacos, não. Uma pessoa banana, não. Banana na salada de frutas, não! Ok. Me empolguei, desculpem. Sejamos mais humanos e menos bananas. Sejamos mais críticos e menos bananas. Sejamos mais humanos e menos preconceituosos. Porque ser banana não está com nada.

Segundo os veículos de mídia, o torcedor que atirou a banana para Daniel Alves foi identificado e banido do El Madrigal. Além disso, há de se lembrar que o dono do Los Angeles Clippers, Donald Sterling, foi banido da NBA por declarações racistas que foram gravadas e levadas a público. Vamos nos lembrar que essas declarações e atitudes poderiam ter sido feitas por muitas pessoas, que efetivamente pensam, fazem e dizem o que eles fizeram. O que aconteceu com Sterling e com o torcedor do Villarreal não resolve o problema, mas como já escrevi sobre a discriminação, cada passo é válido. 

Um conto tecnológico

Dia desses eu mandei uma mensagem dizendo que estava com saudade e marcamos uma cerveja. Enquanto esperava meus amigos, atualizei o status do Facebook, enviei umas mensagens e respondi meus emails. Meus amigos chegaram e começamos uma conversa animada. Estávamos rindo muito quando meu celular tocou. Já não me lembrava mais, mas tinha puxado papo com aquela moça bonita que conheci na festa de sexta. Precisei responder. Já tinha lido, era falta de educação não responder. Infelizmente perdi um pedaço da conversa, mas logo consegui acompanhar.

Brindamos. O brinde foi difícil porque tínhamos que segurar o copo com uma mão e bater a foto com a outra. Elegemos a melhor e logo ela estava em nosso grupo do What’sApp. Com a mesma agilidade, pudemos curti-la nas redes sociais. A mesma foto ficou ótima com os diferentes filtros escolhidos no Instagram. O ruim foi que as notificações triplicaram. Coloquei o celular no silencioso para não atrapalhar mais. Mas aí fiquei com medo de não saber quando alguém falasse comigo. Não responder é falta de educação. Tocava a tela a cada três minutos para conferir.

Monalisa tecnológica. Tirei a imagem daqui.


Queria participar mais da conversa, que estava ótima, mas a menina do What’sApp estava me chamando para uma festinha mais tarde. Precisei responder, era falta de educação não responder. Queria participar da conversa, mas precisei responder ao Juca, que não sabia como chegar ao bar e estava comentado insistentemente na minha foto do Facebook, aquela do brinde. Queria participar mais da conversa, mas curti um comentário da foto e precisei curtir os outros, era falta de educação não curtir. Queria participar da conversa, mas uma imagem no Instagram merecia um like. Ri sozinho dela e de muitas outras. Sinto necessidade de ver todas as fotos da minha timeline.

Foi então que li uma postagem ótima e precisei interromper a conversa para ler em voz alta. Todo mundo riu e cada um pegou seu celular para comentar. Li alguns dos comentários em voz alta e dei um beijo na testa do Pedrão, que estava ali do meu lado e que tinha escrito o melhor comentário da mesa.

O Juca chegou e reclamou que não estava na foto. Tiramos outra. Dessa vez fizemos pose e pedimos ao garçom para bater. Aproveitamos para fazer nosso pedido, porque já estávamos nos esquecendo disso. Todos estavam ocupados em postar a foto com o Juca nas redes sociais, então aproveitei e pedi logo umas cervejas e umas batatas que era o mais fácil de decidir. A Aninha e a Carla resolveram tirar selfies e nós decidimos atrapalhar. Levaram uns dez minutos para concordarem com a melhor foto e mais uns dez para editá-la e postá-la.

As cervejas e as batatas chegaram, mas as garotas reclamaram, porque não poderiam comer aquilo: engorda. Pediram qualquer outra coisa e se esconderam atrás da tela do celular para dividirem suas descobertas virtuais: a blogueiras fitness, as receitas de sei lá quem e um site sobre maquiagem. Tentamos cantar uma música de nossos bons tempos de escola, mas ninguém sabia a letra. O Pedrão logo encontrou uma versão ótima no YouTube e nos apertamos para assistir. Tinha música ao vivo no bar, então não deu para ouvir direito.

Pedimos ao rapaz que cantava que tocasse nossa música preferida. Gravamos o áudio para enviar à Pri, que estava viajando com o namorado para o Chile. Ela não entendeu nada, acho que estávamos bêbados demais para cantar. Então tiramos mais fotos e mandamos para ela, porque era necessário que ela participasse também. A mesa ficou em silêncio por alguns minutos para ler o que ela tinha escrito em resposta e mais alguns minutos para que todo mundo respondesse para ela.

Pouco depois a Aninha e o Juca se desentenderam porque ela descobriu que ele tinha parado de segui-la no Instagram. Ameaçou desfazer a amizade no Face e até o LinkedIn entrou na briga. Ele voltou a segui-la e postou uma foto só dos dois para ela se sentir melhor. Ela comentou a foto dizendo que ele era o pior amigo do mundo, mas que o perdoaria. Ficou tudo certo.

Decidimos pedir a conta e eu fui encontrar a moça com quem conversei a noite toda. A festa estava ótima e eu fiz um vídeo para mandar aos meus amigos, para mostrar a eles o que estavam perdendo por não aceitarem meu convite para ir a tal festa. Minha companhia se irritou um pouco porque precisei responder a eles depois que comentaram o vídeo, mas logo nos entendemos. Era ela mesmo linda. Tiramos umas fotos, mas não postei em rede social alguma, porque ia parecer namorada e isso eu não quero, não. Mas mandei em alguns grupos para que todo mundo a visse ao meu lado.

Saímos da festa, abraçados. Por sorte ela mora perto da minha casa e pudemos pegar o mesmo táxi. Decidi deixá-la em casa, quem sabe poderia até rolar um último copo de cerveja. O taxista errou o caminho e eu fiquei nervoso. Abri o GPS do meu celular para decidirmos o melhor caminho e foi aí que a bateria acabou. Fiquei chateado quando isso aconteceu. Bateu aquela vontade de correr pra casa. Eu precisava de um carregador.

Conseguimos chegar a casa dela mesmo sem o GPS e ela me convidou para entrar. A ansiedade de ficar desconectado estava me matando. Perguntei se o carregador do celular dela era compatível com o meu e não era. Nos despedimos ali no portão: nosso amor era impossível. Cheguei em casa e me atirei na cama, cansado. Mas antes não me esqueci de colocar o celular para carregar, eu jamais me esqueceria disso. Talvez tenha me esquecido de escovar os dentes, mas o celular estava carregando, então tudo bem.

Estava quase cochilando quando as mensagens começaram a chegar: meus amigos comentaram a noite ótima que tivemos e nos prometemos que marcaríamos outra em breve. Trocamos mais algumas fotos e eu adormeci feliz, porque aquela noite tinha sido ótima. Se alguém duvidar, pode ir lá no meu Insta ver as fotos. Ou no Facebook. Ah, se você for, aproveita e dá um like.

Dica de beleza: doe-se

Foi como uma brincadeira que começou: “quero cortar o cabelo. Aqui (apontei pro ombro)”. Recebi como resposta um sincero “uai… Tá doida, menina… Ou vai vender?”. Ri e brinquei que ninguém pagaria um preço atrativo pelo meu cabelo, diriam que tem química e que é bem temperamental. E então veio a luz: “então vai doar?”
Tomei como missão! Fiz hidratação, mudei o shampoo e escolhi outro condicionador. Doaria o cabelo, só precisava descobrir quem o aceitaria. Fui direto ao Google e me frustrei porque encontrei diversos lugares que não o aceitariam por causa das luzes. Confesso que a frustração foi tanta que até chorei. Mais que isso, fiz um dengo pro meu namorado, contando da minha busca sem resultados, porque adoro a forma como ele me enche de mimo. Deixei de lado com um suspiro e um “amanhã continuo minha procura”. 
Já de noite, entrei no Facebook e a resposta estava lá. Magicamente. Uma amiga, interpelada sobre o tamanho do cabelo, confessou sua vontade de doar – com link e tudo. Descobri, então, o Cabelegria! O projeto tem como função recolher cabelos, fazer perucas e doá-las a crianças com câncer. Pela página é possível acompanhar o andamento do projeto e trocar informações sobre o assunto.

A minha ideia era cortar quieta e enviar sem ninguém saber. Mas vi lá na página do Facebook (clique aqui para acessar) o pedido: “divulgue muito”. E achei que valia a pena divulgar. Divulgar e torcer para mais pessoas verem e sentirem vontade de doar também.

Imagem retirada da página do Cabelegria no Facebook

Meus cabelos descoloridos seriam aceitos: cabelos com qualquer tipo de química são aceitos.
Meus cabelos bagunçados seriam aceitos: cabelos de qualquer tipo são aceitos, não importa se são lisos, ondulados, crespos…
Basta que o corte a ser doado tenha mais de 10 centímetros.
Aí é fácil: é só amarrar o cabelo antes de cortar, guardar o cabelo seco em um saquinho plástico (limpo, né, pessoal?) e enviar para o Cabelegria. O resto é com eles.

Vale lembrar que aquele cabelo que cai no chão não serve para ser doado. Tem que ser o limpo e amarradinho mesmo. Qualquer dúvida, é só entrar em contato com eles. E lá na página do Facebook tem o passo-a-passo ilustrado.

E caso alguém esteja se perguntando: sim, é uma coisa muito importante. Imagine só, uma princesinha, além de sentir dor e medo, perder seus cabelos? Imagine agora que haja uma forma da tal princesinha poder ganhá-los de volta? Essa sim é a magia de uma boa fada-madrinha!

Aqui em casa eu cortei e minha irmã também. E, se você cruzou a minha frente com as madeixas grandes, pode ter certeza que eu imaginei seu cabelo no saquinho a caminho do Cabelegria. Eu negociei comigo mesma: metade do comprimento pra mim, metade pras crianças. Tomei um susto a primeira vez que me vi no espelho, mas estou muito feliz.

Se não tiver coragem de fazer uma mudança radical, pense nos 10 centímetros. Se tiver coragem, aproveite a chance. Doe-se para quem precisa de um carinho. E como diz o slogan deles: doe cabelo, dê alegria.

E divulgue.  Como foi com a Helena, que fez a Natália ficar sabendo e por a Natália ter ficado sabendo, eu fiquei também. E de tanto que eu falei no assunto, a Carol também cortou e agora espero que muitas pessoas possam ver, doar, divulgar e continuar o ciclo. Porque um rostinho feliz não tem preço. E não há lugar melhor no mundo para querer um pedacinho de mim.

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Update 1:
Já fiquei sabendo de uma leitora que cortou e doou. Valeu, Gabi! 
Vamos combinar uma coisa? Se você decidir cortar também, conta pra gente como foi. E, se quiser, a gente publica aqui (ou no Facebook)!

Update 2:
Outra leitora enviou seus cabelos porque conheceu o Cabelegria aqui e eu estou muito feliz por isso. Valeu, Carol!