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[Vídeo] O Poder da Empatia

Deixo o vídeo para vocês sobre o poder da Empatia. Gostei muito!

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orkut, minha primeira rede social chega ao seu fim

Minha primeira rede social chega ao seu fim. Deixo minha homenagem à rede que me deu amigos, risadas e scraps pra encher folhas de papel até a lua!

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Revolução de quê?

No dia 31 de março recebemos, com muita satisfação, este texto do Thiago. Escrito originalmente como um post do facebook, este texto não poderia ficar limitado àquela rede social devido à profundidade do texto e à efemeridade do mural do facebook.

Jair Bolsonaro. Foto de Renato Araújo/ABr
Este deputado tem protagonizado cenas de
um filme de terror. Tentou, sem sucesso,
prestar uma homenagem aos militares no
último dia 31 de março. A ele cabe a pergunta:
“Revolução de quê?”

Lendo este texto me surgiram bastantes pensamentos, um deles veio em forma de certeza: os brasileiros ainda temos que evoluir muito, e essa evolução não virá sob a fórmula mágica de uma redenção qualquer, mas virá no amargo sabor de um remédio num longo tratamento. Ainda teremos que conviver com ideias retrógradas, debatê-las, destruí-las e reconstruí-las sob outras formas.

Não existe mais a esperança de que alguém, um político ou um sujeito qualquer, ou que alguma instituição, o exército por exemplo, salvem o Brasil. Suas rédeas serão passadas para a nossa geração sem nenhuma perspectiva de atalho, mas com um mapa de uma estrada sinuosa e íngreme. 

Revolução, amigo leitor, não terá mais data, nem desfile, nem parada militar, revolução é consciência, é paciência e, principalmente, disposição. Achar que haverá um salvador (um político salvador ou uma instituição salvadora da pátria) é lavar as próprias mãos, é se eximir do seu papel na tarefa, e assinar um cheque em branco. Assim começam todas as ditaduras. 


Ricardo Lima
* * * * * 
Reconhecemos, hoje, o marco temporal de 50 anos de um duro golpe que nosso país sofreu, sobretudo no que se refere ao direito, ao respeito e à tolerância.
Respeitada a distância em escala e em alcance do domínio ideológico, a Ditadura Militar foi, para o Brasil, a mesma Era das Trevas que a Idade Média foi para a História da Humanidade. Tivemos aqui nossa amostra caseira de estagnação, ou pior, de retrocesso dos valores humanos. Os mesmos argumentos de conservadorismo, proteção de um suposto bem maior, exigência de conduta rígida, instrumentalizados por um autoritarismo e pela imposição de medo, podem ser observados em todos esses tipos de dominação e alienação da liberdade e da dignidade.
Curiosamente, colhemos, bem hoje, 50 anos depois daquilo que alguns idiotas ainda chamam de “Revolução de 64”, os frutos dos pensamentos retrógrados, conservadores, hipócritas, machistas, classistas, segregacionistas, preconceituosos. Percebemos, então, que não há como se chamar de revolução algo que não contribuiu para um movimento de avanço da humanidade, mas só a fez estacionar no tempo.
Indo longe ao ponto de invocar o Zygmunt Bauman (que sempre colabora com a minha insônia), há que se reconhecer que chega do chamado “campo de experiência” que ampara esses golpes, das tradições sempre invocadas que já mostraram sua capacidade de alienar e anular o ser humano. O mundo precisa se virar para o “horizonte de expectativa” e assumir que precisa evoluir, abrir a cabeça, respeitar a diferença e valorizar o diálogo.
Chega de Ditaduras, sejam elas ideológicas ou políticas, sejam de animais fardados ou de usurpadores do proletariado. Eu não estudei Direito pra ouvir absurdos de quem busca legitimar o autoritarismo. Os problemas sociais que vivenciamos, hoje, possuem várias causas sérias que precisam ser combatidas, mas o Pluralismo e a Democracia não estão nessa lista.

Thiago Guimarães Cobra é advogado, mineiro na desconfiança e no pão de queijo, paulistano na agitação e na insônia, gosta de política, literatura e especialmente de bacon.

Escapando

Quando uma coisa é boa? 

Tem bom que é só bom pra mim… Tem bom que é só bom pra você… Tem bom que é bom só pra mim hoje, amanhã já seria ruim… Porém, tentando achar uma linha comum entre as coisas que achamos boas eu me arrisco a dizer que bom é o que revela um novo sentido, um novo sabor/cheiro/cor, que renova o significado de bom. Dessa forma o que tento propor é gostarmos do que revela novos significados, do que nos abre os olhos e faz com que para sempre enxerguemos um horizonte mais largo. E foi assim que eu recebi a resposta ao meu post desafio. Fiz um post mudo apenas com elementos críticos densos tentando conduzir o leitor a uma crítica forte sobre os jovens que viajam o mundo hoje, por ser essa uma questão que me intriga muito (se não viu esse post confira aqui).

Pois neste post mudo um dos meus fortes argumentos era a crítica o escapismo improdutivo. Graças ao excelente texto resposta apresentado a seguir eu fui capaz de ir além na minha visão sobre o assunto que havia proposto. Aprendi que temos, como seres humanos, a necessidade que nos perder das maneiras mais banais para que a vida se revele a nosso gosto e para que o acaso nos faça seres únicos. A moeda encontrada por você é sua, da mesma forma com que uma das maneiras de delimitar o indivíduo é através da idéia de que sua sorte é só sua. Obrigado pelo carinho Ana Claudia Silva. 

Raphael Cobra
* * * * *

Escapando
Dois filmes, duas histórias reais, uma definição, um monge e uma opinião – juntar tudo isso num texto. Receita interessante, que me chamou a atenção. Uma lista de prioridades me impediu de aceitar a proposta antes.

Cheguei a assistir aos primeiros minutos de um dos filmes no computador, fui interrompida por motivos de força maior. Decidi locar os filmes para assistir na televisão: nada como o conforto de um sofá, de preferência com pipoca e refrigerante.

Ao chegar à locadora, mudei de ideia. Meus olhos foram atraídos por um outro filme, um dos últimos de uma série que eu conheci aos 11 anos de idade. Não que hoje eu seja uma grande fã das aventuras de um bruxo adolescente. Mas, de alguma forma, o fato de eu não ter lido o último livro nem assistido aos últimos filmes da série me traziam a sensação de uma lacuna ainda aberta no meu ciclo infância-adolescência.

Se a ideia da proposta feita era falar sobre escapismo, quem era eu para não escapar também? Não resisti. Escapando dos meus próprios planos, mergulhei na magia que me envolveu por tanto tempo e voltei às minhas lembranças: o primeiro livro da série emprestado da biblioteca do Colégio com a tia Evanyr, o primeiro filme assistido no cinema com duas amigas inseparáveis…

Foi esse o meu momento de escape, e recomendo: às vezes é preciso parar tudo e distanciar-se do mundo para encontrar a si mesmo, buscar a própria essência que talvez tenha se perdido por aí.

E já que estou alterando a receita proposta, faço mais uma substituição, como uma cozinheira que muda os ingredientes para que o prato fique mais a seu gosto. Assim, troco as duas pessoas reais das quais nem sabia o nome por duas outras cuja história conheço e admiro tanto: um jovem e uma jovem que viveram muito tempo atrás. Já ouvi que a grande característica da juventude é não se conformar com o que está errado, e lutar por mudanças. Pois bem, esses jovens viveram isso de maneira exemplar.

Primeiro ele, depois, ela. Escaparam à riqueza, à nobreza e à hipocrisia da sociedade de sua época. Escaparam às ordens dos pais, à incompreensão dos familiares e à estupefação dos demais.  Escaparam ao poder, à vanglória e, principalmente, a uma vida sem sentido. E, na simplicidade de suas escolhas, vividas intensamente, despertaram outros tantos jovens para um ideal maior.

Encontraram-se a si mesmos no servir aos outros. Negaram os desejos do corpo para buscar as aspirações da alma. Descobriram Deus em cada um que atravessava seus caminhos, em especial os pobres e pequenos desta terra. Escaparam a tudo o que os outros desejavam que eles fossem para serem simplesmente aqueles que eles próprios desejavam ser: Francisco e Clara de Assis.

Creio que aí está o segredo: escapar de tudo o que aprisiona, e deixar o coração guiar os passos, escolhendo – ou criando – os próprios caminhos em meio àqueles apresentados pela realidade. Nada de regras opressoras, nada de submissão a vontades alheias, nada de sonhos jogados fora.

Substituindo, por fim, o monge pelo escritor, cito Gabriel Perissé: aprender a soltar os cachorros, os pássaros, os cavalos, as árvores, os filhos, as palavras, as ideias, os braços, a voz, as velas; soltar a si mesmo. E viver.
Sendo eu agora a deixar a minha receita, aconselho a fazer dos momentos de escapismo apenas pausas para recobrar as forças e voltar para a realidade; não se contentar com ela, mas transformar o transformável e adaptar-se ao imutável. É que talvez a sabedoria da vida esteja justamente em descobrir que a felicidade depende menos das circunstâncias que nos rodeiam e mais da nossa postura em relação a elas. E isto começa nas pequenas coisas – como escolher um outro filme na locadora…

Ana Cláudia Silva

Diálogo sobre formas

Quais seriam as formas desenhadas pela fumaça de um fósforo aceso em uma sala fechada? Provavelmente linhas suaves e curvas com a presença de espirais.
Agora imagine um móvel antigo de madeira entalhada. Como são os desenhos decorativos na madeira? Provavelmente curvas suaves e espirais.
Para contraste, como seria o desenho formado pelo rastro de um avião no céu? Qual a principal característica das formas de um automóvel moderno? 
Linhas, talvez curvadas, porém sobre tudo linhas.
O que distancia e aproxima essas imagens são dois elementos: tempo e velocidade. Enquanto as curvas fechadas com caracóis eram típicas dos móveis antigos e de muitas arquiteturas do passado o presente é marcado pelas linhas modernas. E o que explica essa diferença temporal de formas é justamente a velocidade, aquela que diferencia os espirais da fumaça de um fósforo sendo aceso em uma sala fechada e a o as linhas traçadas por um avião que corta o céu. O ar da sala fechada se move lentamente e desenha espirais, o avião passa rapidamente pelo ar e desenha linhas.
Da mesma forma as sociedade que desenharam caracóis, e as que hoje desenham linhas se movem em velocidades diferentes. 
A própria noção de beleza refletiu nossa velocidade, são linhas retas que vão desde prédios a cabelos. Cachos são repudiados até mesmo nos cabelos, já que é próprio do novo negar o velho.
Pois existe alguma crueldade na linha, que devemos ficar atentos. As linhas de produção são um bom exemplo. São muitas linhas de produção, paralelas, produzindo produtos semelhantes que duram pouco, custam muito para os muitos que ganham pouco. 
Das simplificações perigosas da linha a que mais preocupa é a da vida das pessoas. Não que isso seja crítica a uma vida simples, mas na verdade esta é uma crítica à ignorância da complexidade de cada um. A velocidade com que as vidas modernas passam, ignora sonhos e aspirações, ignora desenvolvimentos enquanto privilegiaria acertos. Não podemos nos dar o luxo de não sermos flechas retas voando rápido em direção ao alvo.
Não é a intenção advogar a favor dos espirais, esses têm lá os seus perigos. Basta lembrar de tempos em que a cultura no mundo era uma sala fechada com pouco movimento de ar, que acabou por aprisionar ideias nas mentes e favorecer comportamentos doentios e cruéis.
Esse debate é mais um desses infinitos yin yang com os quais nos nos deparamos. Eu em particular sempre me vejo nesses impasses naturais. 
Como sempre, vou adotar a saída de permitir que os dois existam, linhas e linhas enroladas, rolos enovelados ou rolos que foram esticados. E um brinde a essa coexistência é a séria fotográfica de Oliver Valsecchi, na qual modelos cobertos de cinzas se erguem formando traços e espirais com a névoa. Talvez seja assim a existência humana, na prática uma mistura dessas formas contraditórias.