orkut, minha primeira rede social chega ao seu fim

Minha primeira rede social chega ao seu fim. Deixo minha homenagem à rede que me deu amigos, risadas e scraps pra encher folhas de papel até a lua!

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Pedreiros nos trollando

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Fui trollado. E você?

*trollar = enganar

Novos aplicativos, velhas ideias

Foto: divulgação/Lulu
Durante este último final de semana uma notícia abalou o universo masculino – aquele ambiente inóspito, feito por bares, mesas de sinuca, fartos pedaços de comida gordurosa, onde se bebe cerveja em medidas de litros. Surgiu um tal aplicativo em que as mulheres nos avaliam. Novidades (quase) sempre nos assustam, mas é só uma questão de racionalizar: ora, essa mesma atividade de avaliar os homens já era praticada há muito, fora do ambiente virtual, nos banheiros femininos, nas rodas femininas, nos salões de beleza. Estou mentindo? Creio que não.

A criação, porém, de um aplicativo que tenha exclusivamente este objetivo cria algumas situações inusitadas, novas para o homem, engraçadas até, mas que logo se tornam um pouco preocupantes. Mas, vamos com mais vagar, para os que chegaram agora e não sabem do que estou falando vou me explicar.

Neste mundo de smartphones surgem diariamente vários programas, aplicativos, carinhosamente chamados de apps. Muitos deles funcionam a partir de um perfil de usuário já existente em redes sociais, o Facebook, por exemplo. Assim funciona o Lulu. Este aplicativo é exclusivo para as mulheres, só elas conseguem fazer o login, depois de entrarem podem avaliar seus amigos (homens) de forma objetiva, com palavras-chave (hashtags), podem também ver as avaliações que suas amigas fizeram. 

O que fica, então, é um perfil de cada uma das vítimas (homens) com sua foto de perfil do Facebook e suas hashtags positivas ou negativas. Vou usar os exemplos que encontrei no próprio site do aplicativo.

Foto: divulgação/Lulu
Este é o Lulu e o básico do seu funcionamento. Podem, como eu disse, surgir situações bastante engraçadas. Amigas que com boa vontade – ou mediante suborno mesmo – coloquem características positivas a seu respeito. É bem conveniente um #SempreCheiroso, ou mesmo um #Cavalheiro não é? Podem acreditar, estes são dos exemplos mais amenos que consegui.

De fato, as piadas não param por aí, mas a lista de coisas mais sérias vem logo adiante: as avaliações são anônimas. Sim, este é o grande ponto que permite algumas avaliações tendenciosas, ou mesmo vingativas. Blogs americanos já relatam em vários textos o uso do aplicativo para vingança. Alguém mais tranquilo dirá: mas isso é um problema? Respondo: é um problemão! Como já estabelece a nossa boa e jovem Constituição: liberdade de expressão, MAS vedado o anonimato.

Não, amigos, a lista das coisas sérias está apenas começando. A nossa geração tem convivido com bastantes formas de machismo, as mais resistentes delas, as mais arraigadas e veladas, disfarçadas de discursos morais e/ou tradicionais. Nós temos que nos policiar sempre – não no sentido de uma patrulha do politicamente correto, vai além disso – para não sermos mais repetidores de besteiras ancestrais. 

Eis que a tecnologia nos faz essas ciladas, vemos algumas das besteiras mais ancestrais do machismo aflorando agora no universo feminino: a coisificação. O que quero dizer é que este novo aplicativo permite que as mulheres (suas usuárias exclusivas) nos avaliem como objetos numa vitrine. Mesmo sabendo que, ao criar um perfil no Facebook você está criando um perfil necessariamente público, não significa que você, amigo homem, está concordando em ser avaliado dessa forma, afinal de contas você é um sujeito #ComOMínimoDeBomSenso

Amigas, não estou sendo parcial nem estou preocupado com recalques passados (descobri como não ser avaliado no aplicativo – leia até o final e ganhe um gole do Graal com o Antídoto), estou preocupado com as velhas armadilhas do machismo, com as mulheres tratando os homens como coisas, elas/vocês que não gostam de ser tratadas como tal. 

A pergunta que fica, então, é a seguinte… Onde está o problema? Na tecnologia? Nos novos aplicativos? Nos novos celulares que nos deixarão com LER daqui alguns anos? … Será?

O problema, amigos e amigas, não está no que é novo. O problema está no que é velho, no que está embutido no pacote, em forma de piadinha. O aplicativo é novo. O machismo é velho. E como nos lembra o Antônio Carlos – autor do Blog – Feminismo não é o oposto do machismo.

Eis aqui a sua salvação amigo #preocupado

A empresa desenvolvedora do aplicativo nos dá garantias a ambos os sexos: para as mulheres a garantia do anonimato; para os homens o antídoto.
Você pode entrar no site do Lulu, entrar com seu login do Facebook e solicitar que seu perfil seja excluído do paredão da avaliação. 
O G88 salva você…
  >  Link oficial para desativar seu perfil no Lulu.

As 10 regras de etiqueta da Geração Y

1 – Seja um bom anfitrião: dê a senha do wi-fi

Se você está recebendo seus amigos em casa para uma reunião, um encontro ou qualquer outro evento, seja gentil, mostre sua hospitalidade: dê a senha do wi-fi antes mesmo que alguém tenha que a pedir.
Não precisa de um monte de talheres, taças de cristal, canapés e champanhe, só a senha do wi-fi e umas cervejas!

2 – Não curta as suas próprias fotos

Meu caro leitor, se você postou a foto numa rede social, seja Instagram, Facebook ou qualquer outra possível, significa que você gostou da foto. Ora, você não postaria se não gostasse, certo? Não precisa manifestar seu próprio contentamento consigo mesmo! É no mínimo redundante curtir as próprias fotos e publicações.

Não seja um forever alone!



http://www.circuitomt.com.br

3 – Não fique no Whatsapp enquanto todos conversam

Não é porque o seu anfitrião foi gentil e lhe ofereceu a senha do wi-fi que isso te dá o direito de se ausentar da conversa para abrir as 154 mensagens daquele grupo de amigos de infância no Whatsapp. Converse ao vivo!


http://www.marcellopepe.com

4 – Seja pontual

Essa não sai de moda, entra geração, sai geração… Sempre convém ser pontual. É uma questão de educação e consideração.

Ninguém quer ser o cara que reserva 20 cadeiras num bar lotado e fica lá sozinho esperando.

– Você está usando essas 19 cadeiras?
– Sim, estou esperando uns amigos atrasados…


5 – Não bisbilhote a galeria de fotos do celular alheio

Se o seu amigo te entregou o celular para ver uma foto obedeça: veja a foto e devolva o celular! Não é para ficar escorregando o dedinho na tela e procurando novas fotos!

Em tempos de grupos de whatsapp compartilhando fotos e mais fotos de besteiras, então, nem se fala…




http://appleboyster.wordpress.com/

6 – Não mande indiretas por redes sociais

Nada pior do que aquele sujeito que fica postando ou compartilhando frases ressentidas ou raivosas sem destinatário. 

Acalme esse seu coração!




7 – Não crie diálogos quando for comentar fotos

Comentários de fotos são sobre as fotos, não para criar um diálogo!
“Joãozinho, que lindo, como está você? Sua mãe está bem? Sua avó melhorou? Que bom te ver aqui, um abraço para o seu pai, tudo de bom, viu? Um beijo!”

The Truman Show, Wikipedia

8 – Não faça redes sociais de diário

Não, amigo, você não está sendo vigiado, nem deve dar tantas satisfações. Se você vai sair para tomar banho, se vai ali na padaria, se está cansado, triste, alegre, esfuziante… 

Calma, não precisa compartilhar tudo assim de forma tão ávida.

Não precisa fazer Check in em cada esquina. Este não é o Show de Truman, ok?




9 – Não confunda curtir com querer

Esta é para os corações mais afoitos. Se aquela amiga ou amigo curtiu sua foto ou algo que você postou, meu caro, não se empolgue. Isso não significa que ela/ele esteja te dando moral, só que gostou da foto. É simples.

play.google.c

10 – Não mande convites pra jogos

Ninguém merece ir ver as suas notificações em redes sociais e perceber que na verdade não era nada interessante… Só 200 amigos lhe convidando para jogar Candy Crush.



Sobre girafas e polêmicas

Ontem reparei que dois dos meus amigos do Facebook haviam atualizado suas fotos de perfil. Duas girafas. Quando as vi, as duas, uma debaixo da outra, soube que não era coincidência, mas não fazia ideia de que se tratava. Mais tarde, em uma conversa, o assunto surgiu e me explicaram que havia uma brincadeira em que quem errasse a resposta de uma pegadinha deveria trocar a foto. Dei-me por satisfeita.

Hoje cedo, o comentário estava em outros meios e resolvi ler mais sobre o assunto. Lembrei-me daquela brincadeira da bolsa, em que as mulheres deveriam escrever no Orkut (desenterrei o Orkut!) o lugar em que deixavam suas bolsas ao chegar em casa e a falta do contexto fazia a resposta ter múltiplas interpretações: na cama, no chão, no tapete, no armário…

A imagem da girafa mostrando a língua eu achei no Geek Philosopher

A girafa funciona mais ou menos assim: um vlogger neozelandês lançou um desafio e quem respondesse errado em seu site deveria trocar a foto de perfil por a de uma girafa por três dias. A pergunta era mais ou menos esta: “são 3 da manhã, alguém bate na porta da frente e você acorda. Visitas inesperadas: são seus pais e eles querem café da manhã. Você tem geleia de morango, mel, vinho, pão e queijo. Qual a primeira coisa que você abre?”.

Até aí não me parecia motivo para escrever. Era só mais uma brincadeira de internet, brinca quem quer. Mas quando eu desci a barra da página em que eu lia tais explicações, eis que surgiram discussões, algumas delas até bem acaloradas, sobre a resposta. Entre porta e olhos, as pessoas criavam argumentos e teorias. E trocavam hostilidades e ironias. Tudo isso por causa de uma pegadinha. “Vá abrir a porta de olhos fechados, então” – dizia um. Ao que outro respondia “mas acordar já é abrir os olhos, ou você acorda e fica de olhos fechados?”.

E dentre eles, surgiam os ranzinzas de plantão: “que bobagem! Discutir sobre arte ou política ninguém quer!”. Passei um tempo me perguntando do porquê daquilo tudo. Talvez a discussão da girafa, por ser mais rasa, tenha conquistado mais adeptos. Falar de arte e política exige algum conhecimento, alguma reflexão, alguma leitura – no mínimo. Ou porque receba o rótulo de chato quem se interessa por questões que exijam mais discussões e pesquisas.

Talvez seja porque a brincadeira da girafa faça pensar, faça criar relações com o texto da pergunta e a forma como isso se coloca na vida das pessoas, mas nada muito distante, profundo ou perturbador quanto os outros tópicos podem ser. E, principalmente, talvez a girafa faça mais sucesso porque “todo mundo” sabe o que é, já viu a página, já testou sua resposta, já participou… E se não participou, quer participar, mesmo que de longe. E, por outro lado, muitos veem as outras questões como coisas distantes de nós e do cotidiano. 

Dia desses, por exemplo, um aluno meu de uns 12 ou 13 anos, disse que não deveríamos discutir política porque “é o presidente quem manda no país, é ele quem sabe”. Tentei levar a coisa de maneira leve. Disse a ele que no nosso caso é “a presidente”, ou “a presidenta” – como ela prefere – e que vivemos em uma democracia. E democracias são regimes de governo em que os governantes são escolhidos pelo povo para defender o interesses do povo. Meu aluno riu – não um riso constrangido, riu mesmo -, me perguntou se a aula já tinha acabado e saiu correndo porque estava atrasado para a aula de matemática.

Queria muito que meu aluno e muitas outras pessoas pudessem entender e conversar sobre esse assunto como conversavam os debatedores da girafa. Com mais conteúdo, certamente, mas com a mesma vontade. A política, a arte, a História… Tudo isso está na nossa vida, está nas ruas – buracos, grafites, casas e prédios antigos, nomes de ruas não seriam questões de política, arte e História? Mas, além disto, quantas coisas nos afetam diariamente e passam batidas, sem opinião formada, sem conhecimento sobre o assunto? Quantas vezes já poderíamos ter mudado o que incomoda ou exigido melhores resultados? E, pensando bem, falar sobre a girafa não nos tira de nossa zona de conforto, não nos leva a lugar algum, a nenhuma mudança, nenhum aprendizado.

Não sei dar as receitas. Mas uso essa postagem despretensiosa do G88 para pensar não apenas em girafas e pegadinhas, mas em um país, em uma geração, em uma sociedade que são capazes de nos aproximar da Nova Zelândia da noite para o dia, que são capazes de defender pontos de vista e opiniões e que podem, sim, fazer mais e melhor.