A Verdade

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Foto por Breno Ferreira

Haviam 8 homens reunidos, 7 homens sábios e um cego de nascença. A tarefa era simples, descrever a luz para o cego e proporcionar a este o melhor entendimento possível. Iniciou um dos homens dizendo.

-A luz é o que nos faz ver.

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HOW I WORK | Raphael Cobra

Seguindo a linha de posts lançada pelo Breno e aceitando o convite da Mariana aqui estou para contar um pouco sobre o meu trabalho.

1. Nome e Profissão

Raphael Cobra, Engenheiro Ambiental, mestrando em Engenharia de Produção na USP, sócio da Genos Consultoria ambiental, coordenador do Clube de Empreendedorismo de São Carlos.

2. Localização

São Carlos, SP, Brasil.

3. Uma palavra que descreve como você trabalha: 

 “Empreendedorismo” – Não pelo fato de ser sócio em uma empresa mas pelo fato de dedicar a maior parte do meu tempo tocando iniciativas para tentar fazer a diferença na sociedade.

4. Quais Dispositivos móveis: 


Uso um monte de quinquilharia eletrônica, mas o que precisa andar comigo sempre é a criatividade.


5. Qual computador: 

Os fortes entenderão…


.

6. Quais aplicativos/softwares/ferramentas não pode viver sem? Por quê? 


Infelizmente eu uso um monte de ferramentas e aplicativos: zap zap… office… essas coisas


7. Como seu local de trabalho e área de trabalho parecem?


A USP, minha casa desde 2007.
O laboratório onde faço mestrado.
Quando montamos a Genos…

Amigos visitando a Genos a filando picolés do frigobar!


8. Qual o melhor truque para economizar tempo no trabalho e no dia-a-dia?


Gestão do tempo não é o meu forte e tempo é o recurso mais escasso no meu dia a dia. Acho que só sobrevivo porque São Carlos é uma cidade pequena e por isso gasto pouco tempo me locomovendo entre os lugares (a dica é morar no interior). Ter um negócio é saber que trabalho não tem hora… o trabalho acaba entrando no seu laser e horas de descanso com muita frequência por isso é importante gostar do que se faz.

9. Como você gerencia sua lista de tarefas?

 Ainda estou tentando fazer isso…



10. Qual é a sua fortaleza?

Meus amigos e adversários podem me qualificar melhor. Eu sou muito feliz de conhecer as pessoas que eu conheço e trabalhar com aquilo que gosto.


11. O que você escuta no trabalho?


Duas dicas feras: 1) 8tracks.com    2) superplayer.fm

12. O que você está lendo atualmente?


1) De trabalho: um trilhão de artigos e livros científicos
2) Para pensar: “Revolução do amor” de Luc Ferry  – Acreditem apesar do título não é nenhum romance, é um livro bem legal e filosófico… Falando de como foram transformados os valores da sociedade depois que as pessoas passaram a poder escolher com quem se casavam ( tirando o papel da família em arranjar casamentos). Fala da sociedade onde o amor passou a ser o fator de união dos casais e o impacto disso em algum tipo de espiritualidade laica…

13. Você é mais introvertido ou extrovertido?

Os dois! Sou um Introvertido que aprendeu a sair um pouco da concha e acaba sendo considerado Extrovertido. Penso na Introversão como uma vida interna rica e que demanda uma alta dose de solidão para processamento (não tem nada a ver com tristeza). Isso se traduz em necessidade de passar alguns dias só consigo mesmo lendo e pensando, ou sair sozinho para fazer coisas como caminhar ou ir no cinema por exemplo. Extroversão em introvertidos é uma espécie de modo operacional que se desenvolve…. ajuda nas falas em público … nas palestras e debates… nas reuniões na hora de posicionar…. no networking para conhecer pessoas que são importantes para a carreira…

14. Como é sua rotina de sono? Dicas?


Todas essas perguntas estão me pintando um cara desregrado! Sobre sono eu acredito em dormir quando o corpo pede… mas ele tem que pedir com ênfase as vezes! Alterno dias de pouco sono… (as vezes zero sono)… para ficar em dia com os trabalhos com dias de muito sono e domingos preguiçosos como este.

15. Qual é o melhor conselho profissional que você já recebeu?


Se hoje eu faço o que gosto isso se deve ao fato de ter rejeitado a maioria dos conselhos profissionais que já recebi! Não dei ouvidos a quem não gostava da engenharia que fiz… não dei ouvidos a quem não gostava que eu passasse mais tempo estudando e fizesse mestrado…. não dei ouvidos a quem me queria trabalhando em uma carreira convencional de engenheiro… 
Por mais que esses “conselhos” viessem de pessoas que me amassem ou gostassem de mim… Nenhum deles conseguiu convencer o introvertido que pensa muito por si só… 
Acho que as verdadeiras lições você aprende naturalmente e não quando alguém chega e vem te moralizar com um conselho. São lições em gestos e exemplos.
Vou fechar esse post com uma lição que moldou muito do que eu faço e penso. Foi algo que meu pai, que foi engenheiro em empresas por muitos anos me disse depois de se aposentar: “No seu trabalho você vai vender os seus dias mais ensolarados que você podia estar em algum lugar jogando bola. Vai passar esses dias em um escritório fechado. É por isso que você precisa gostar do que faz. Porque quando parar de trabalhar a saúde não é a mesma para aproveitar os dias de sol. ” 






Diálogo sobre formas

Quais seriam as formas desenhadas pela fumaça de um fósforo aceso em uma sala fechada? Provavelmente linhas suaves e curvas com a presença de espirais.
Agora imagine um móvel antigo de madeira entalhada. Como são os desenhos decorativos na madeira? Provavelmente curvas suaves e espirais.
Para contraste, como seria o desenho formado pelo rastro de um avião no céu? Qual a principal característica das formas de um automóvel moderno? 
Linhas, talvez curvadas, porém sobre tudo linhas.
O que distancia e aproxima essas imagens são dois elementos: tempo e velocidade. Enquanto as curvas fechadas com caracóis eram típicas dos móveis antigos e de muitas arquiteturas do passado o presente é marcado pelas linhas modernas. E o que explica essa diferença temporal de formas é justamente a velocidade, aquela que diferencia os espirais da fumaça de um fósforo sendo aceso em uma sala fechada e a o as linhas traçadas por um avião que corta o céu. O ar da sala fechada se move lentamente e desenha espirais, o avião passa rapidamente pelo ar e desenha linhas.
Da mesma forma as sociedade que desenharam caracóis, e as que hoje desenham linhas se movem em velocidades diferentes. 
A própria noção de beleza refletiu nossa velocidade, são linhas retas que vão desde prédios a cabelos. Cachos são repudiados até mesmo nos cabelos, já que é próprio do novo negar o velho.
Pois existe alguma crueldade na linha, que devemos ficar atentos. As linhas de produção são um bom exemplo. São muitas linhas de produção, paralelas, produzindo produtos semelhantes que duram pouco, custam muito para os muitos que ganham pouco. 
Das simplificações perigosas da linha a que mais preocupa é a da vida das pessoas. Não que isso seja crítica a uma vida simples, mas na verdade esta é uma crítica à ignorância da complexidade de cada um. A velocidade com que as vidas modernas passam, ignora sonhos e aspirações, ignora desenvolvimentos enquanto privilegiaria acertos. Não podemos nos dar o luxo de não sermos flechas retas voando rápido em direção ao alvo.
Não é a intenção advogar a favor dos espirais, esses têm lá os seus perigos. Basta lembrar de tempos em que a cultura no mundo era uma sala fechada com pouco movimento de ar, que acabou por aprisionar ideias nas mentes e favorecer comportamentos doentios e cruéis.
Esse debate é mais um desses infinitos yin yang com os quais nos nos deparamos. Eu em particular sempre me vejo nesses impasses naturais. 
Como sempre, vou adotar a saída de permitir que os dois existam, linhas e linhas enroladas, rolos enovelados ou rolos que foram esticados. E um brinde a essa coexistência é a séria fotográfica de Oliver Valsecchi, na qual modelos cobertos de cinzas se erguem formando traços e espirais com a névoa. Talvez seja assim a existência humana, na prática uma mistura dessas formas contraditórias.



Escreva esse texto por mim!



Dois trailers



Duas pessoas reais



Uma definição
Escapismo ou desejo de evasão é o alívio ou a distração mental de obrigações ou realidades desagradáveis recorrendo a devaneios e imaginações.
Manifesta-se na busca da natureza, na fuga para o passado próximo (a infância) ou distante (a Idade Média), o sonho ou a fantasia e a morte.
Podemos definir escapismo também como a desconsideração da realidade.
É uma das características do Romantismo, movimento cultural do século XIX. Para os românticos, o mundo real é sempre uma frustração de seus idealismos e sonhos. Daí a rebeldia dos poetas do mal-do-século no Romantismo, onde eles procuravam se refugiar de seus problemas e um desses modos era a morte.
Fonte: wikipédia
Um monge

Uma pergunta
Será que estamos buscando a felicidade em muitos lugares onde nós não estamos?
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Se você chegou até aqui provavelmente você já escreveu um texto com a mente sobre esses elementos. O que eu quero dizer é que o mais importante aconteceu, você formou alguma opinião sobre esses assuntos e sobre a linha tênue que os une.  Se quiser seguir em diante e escrever um texto de verdade sobre esses assuntos será incrível, envie para nós em geracao1988@gmail.com. O melhor texto recebido será publicado no G88.

O jovem intercambista e o peixe astronauta

O jovem intercambista e o peixe astronauta

Ser um jovem global

Ser um jovem global é cada vez mais comum no Brasil hoje em dia. Refiro-me como global aos jovem que passam temporadas fora do Brasil em intercâmbios variados e de durações distintas em qualquer outro país. Todos nós hoje conhecemos a diversidade de meios de se passar uma temporada fora, porém à medida que esse tipo de viagem se torna um fenômeno que mobiliza uma massa, existe uma diversidade grande de motivadores que levam as pessoas a deixarem suas casas e passar um tempo fora.
Pessoalmente acredito em dois tipos de viagem de intercâmbio: viagem com propósito e viagem exploratória. Com propósito seria uma viagem em que antes do início da jornada são determinados alguns objetivos que serão perseguidos ao longo da estadia no exterior. Por exemplo, se eu quero aprender a língua X eu vou me matricular em um curso, vou me esforçar para ter bastante contato com nativos, etc. Na viagem exploratória eu vou de olhos bem abertos para descobrir o que existe, quais oportunidades estão à espreita, quais as minhas vocações latentes. Um exemplo seria aceitar um convite de um amigo para participar de um grupo, como esqui, ou grupo de alunos internacionais e acabar viajando para Cuba por outro convite inesperado.
De um jeito ou de outro o indivíduo cresce, seja escolhendo onde você quer chegar e lutando para chegar o mais perto possível ou seguindo os caminhos que são oferecidos. Não acredito que uma viagem possa ser só propósito ou só exploratória, deve haver um equilíbrio entre esse temas para que o intercambista seja feliz e possa satisfazer o que a sociedade espera dele (ser um cidadão e um profissional de primeira linha).
Justo essa sociedade é um ponto bem interessante, uma vez que ir para fora amplia muito o seu entendimento sobre o que há dentro do próprio país. É a famosa metáfora do peixe que não conhece o aquário dentro dele, que nos faz pensar no intercambista como um peixe astronauta com a chance de ver o aquário de longe e entender melhor sua situação e seus problemas. A surpresa sobre algumas coisas é quase aquela dos astronautas que viram a Terra do espaço pela primeira vez e disseram que era afinal de contas uma bola azul. Da mesma vez que os pioneiros astronautas tiveram que explicar cada mínimo detalhe sobre a viagem e ajudar a ciência a evoluir, conhecer as belezas e os problemas do seu país durante um intercâmbio nos torna cúmplices e responsáveis por ações de impacto e que beneficiem as pessoas.

Casa é casa, Lar é Lar.

Uma das questões com que o viajantes se deparam é a “Não tô em casa, e agora?!?”. Quais são as referências que se tem quando tudo é alheio e estranho? Quando nem a grama é familiar e as pessoas não são família, nem amigos… A resposta é: não existem referências mesmo. Daí a necessidade de se criar referências. Amigos se tornam irmãos, algumas mães te adotam pelo caminho e assim a nossa casa se torna um lar, que é a casa que não pode ser destruída por ser feita por pessoas e pelo sentimento de acolhimento.
Uma das grandes lições do intercambista é justamente essa de aprender a morar em qualquer lugar, uma vez que morar passa a ser: ter referências de onde se está, sem guardar o amor no coração para os pais e amigos “originais”. Ter pais e amigos, irmãos, tios, avós onde se vai! (não estamos falando aqui de relações superficiais).

A complexidade das chegadas e partidas

O normal é que as pessoas saiam e voltem, não que isso seja simples. Na saída são infinitas despedidas, choros, discursos, presentes. Conheço gente que fez mais de 10 despedidas, por exemplo, isso me leva a crer que o processo é bem intenso. Penso que seja a preparação para deixar nossos relacionamentos no modo de espera que afeta toda nossa rede de dependências e compromissos.
A volta é incrivelmente parecida com a partida. Tudo acaba onde começou e eu não falo do aeroporto, falo de tudo. Também são feitas festas discursos e dados presentes. Estamos reativando nossos relacionamentos no nosso habitat e nesse processo nos descobrimos os mesmos de antes. Às vezes dá até a impressão de que nada mudou, o que é uma ilusão. Apenas somos as mesmas pessoas no mesmo lugar, mas em um nível superior de vivência e conhecimento.
A todos que passam e passaram ou passarão por momentos como esses eu dedico uma música que gosto muito. A letra nos estimula a ver as partidas de forma cíclica e a ter carinho com os sentimento daqueles que deixamos ao ir e ao voltar, uma vez que “I believe that my life’s gonna see. The love I give returns to me”.
Dedico especialmente a Eduardo, Mari, Maju, Rosel, July (do ônibus), Marco, Tiago, Andressa, Marilha, Rafael, Guto, Vinícius.