Crescer, amadurecer

É isso, pessoal, acabo de compreender uma coisa importante: cheguei àquela idade. E por “àquela idade” quero dizer, àquela fase da vida. Aquela que eu jurei que não teria. Aquela que eu afirmei veementemente que evitaria.
É, tenho dores. Joelhos, costas, ombros. Troca o travesseiro, o pescoço me mata. Muito tempo sentada, a coluna já era. Muito tempo em pé, pernas inchadas. Dores de cabeça no fim do dia.

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Um cansaço sem tamanho me derruba na cama às 21h. Ou no sofá às 19h, dependendo da situação. Minhas roupas estão cada vez mais confortáveis, os sapatos, então, nem se fala.
Azia e má digestão visitam com frequência. Uma lata de leite condensado, que já foi o paraíso na terra em outros tempos, hoje aparece em minha mente com fitas em amarelo e preto, com a escrita de “Caution” em luzes vermelhas.
Hoje eu tenho a metade das fotos e o dobro do amor próprio. Hoje eu tenho mais pressa pelo banho quentinho que pela festa. Tenho mais alegria no macarrão caseiro que no fast food. Um “você tá linda” do meu namorado vale mais que mil curtidas nas redes sociais. Um conselho da minha mãe vale mais que toda ciência.
Prefiro a TV desligada e a vitrola (é, vitrola) tocando um disco bom. E o botão do volume roda pra esquerda mais que pra direita na minha mão.
Aprendi a dar valor aos utensílios domésticos, aos jardins floridos (ai, como é difícil cuidar de planta!) e aos passeios em família.
Aprendi que eu não preciso gostar de uma comida saudável para comê-la. Odeio banana, mas é fonte de potássio. Tenho horror a folhas, mas elas colaboram na fixação da ferritina.
Aprendi a usar filtro solar. Aprendi o valor da louça lavada. E seca. E guar-da-di-nha. Aprendi a beber água, muita água. E a tomar café da manhã com tranquilidade sempre que puder. E qualquer outra refeição. E a tirar um cochilo revigorante depois do almoço.
Aprendi a carregar um casaco e um guarda-chuva. Mentira, isso eu SEMPRE fiz.
Mas aprendi a tirar a maquiagem antes de dormir. Cuidadosamente. Calmamente. E aí depois eu lavo o rosto, e só uso produto bom, porque se não for, a alergia grita, a pele incha, fica vermelha e esfolada. Também aprendi a ter sempre um remedinho por perto.
O que me lembra dos meus lugares favoritos: amo farmácia, adoro supermercado. E tenho o costume de comparar preços. Sei de cor os lugares onde devo ir para comprar melhor, aprendi na época da faculdade. Demoro horas para fazer compras, faço contas. Sinto o coração mais leve quando vejo uma promoção. As de desodorante e papel higiênico são as minhas preferidas.
Isso, claro, porque eu aprendi o valor do dinheiro. E por valor, entenda, o quão difícil é ganhar dinheiro e o quão fácil é vê-lo desaparecer da minha mão.
Os jovens não sabem o valor da maturidade. E eu devo um milhão de desculpas a minha mãe, que foi quem eu vi passar por essa fase, sem compreender a beleza que se impunha aos meus olhos. Sem compreender as delícias da vida adulta, eu na minha pressa adolescente.
Chegueià fase da vida que, aos 15, eu jurei evitar. Que aos 25 eu acreditei firmemente que evitaria. E que aos 29 (não, ainda não tenho 30) eu já me entreguei de braços abertos.
Sou quase uma balzaquiana e a vida só está começando. E está cada vez melhor.

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