Esse sorriso me ilumina

Temos a honra da compartilhar com vocês este texto da nossa amiga Vanessa Freitas que, no dia internacional da Síndrome de Down, compartilha conosco a alegria de conviver com sua irmã Bia. Obrigado pelo texto, Vanessa!

Equipe G88

Lembro da sensação que tive quando recebi a notícia de que ganharia uma irmã. Já tinha um irmão, mas como na época só brigávamos (love u bro!), o fato de ter uma irmã, e ajudar na escolha do nome (fiz uma lista com o nome de todas as Chiquititas para os meus pais… e deu certo!) foi o êxtase dos meus 8-9 anos. Eu teria uma parceira para todas as brincadeiras, fofocas, novelas, paixonites e coisas de menina.

Lembro também da sensação que tive quando minha mãe contou que a Bia teria um desenvolvimento um pouco mais lento em relação às outras crianças por causa de uma anomalia em um par de cromossomos. Nem sonhava o que era genética na 3a série, mas com meu espírito nerd quis saber tudo sobre o que seria essa tal Síndrome de Down. Depois de muitas buscas no finado Cadê e na Barsa, já achava que sabia tudo sobre o assunto. A Bia teria olhinhos mais puxados que os meus, e o cabelo mais liso (sorte dela). O que eu não imaginava era o que eu não encontraria em enciclopédia e site nenhum.

A Bia chegou… Uma bonequinha frágil, demorou um pouco para conseguir sentar, engatinhar e andar. Cada passo, uma vitória. Demorou um pouco pra falar, e até pouco tempo atrás me chamava de Nenê pela dificuldade em emitir o som do V. Agora ela me chama de Vanessa, e eu aplaudo, por mais que eu adore e prefira meu antigo apelido.

Frequentou desde pequena, e ainda frequenta, a escola e é uma das pessoas mais sociáveis que eu conheço. De dar inveja a qualquer um que tem dificuldade para realizar aquela primeira abordagem a um desconhecido. Seu sorriso desarma qualquer pessoa.

Bia

O sorriso de Bia

Desde pequena não negava colo, hoje não nega abraços. O “problema” agora é o abraço ser forte demais, a fragilidade foi embora. Dança como se ninguém estivesse vendo. E se ela perceber que você está vendo e não está dançando, vai te arrastar pra dançar junto.

Ela é aquela irmã com quem brinquei de adoleta e pararaparati quando criança. É aquela irmã que tem pelos cantores sertanejos de hoje a mesma paixonite que eu tinha pelas boybands do início dos anos 2000. É aquela irmã com quem eu monto um salão de beleza em casa e fazemos as unhas e penteados no cabelo. É aquela irmã que elogia minha roupa antes de eu sair de casa. É aquela irmã que eu adoro maquiar quando vamos sair juntas. É aquela irmã com quem eu fofoco e converso sobre “amores” (nisso ela me deixa no chinelo). É aquela irmã com quem eu troco roupas, roubo umas peças, dou outras minhas de presente.

O que ela tem de diferente das outras irmãs? Muita coisa… A alegria, a espontaneidade, a animação, a leveza e o carinho que muitas irmãs que têm só dois cromossomos no par 21 não têm.

Não sei se eram esses os ‘diferenciais’ que você esperava ler, mas tenho certeza que ao conviver com ela ou com algum outro portador de Síndrome de Down, você vai concordar comigo.

E eu agradeço todos os dias por ter uma irmã diferente assim.

Van

Vanessa Freitas

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