A Verdade

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Foto por Breno Ferreira

Haviam 8 homens reunidos, 7 homens sábios e um cego de nascença. A tarefa era simples, descrever a luz para o cego e proporcionar a este o melhor entendimento possível. Iniciou um dos homens dizendo.

-A luz é o que nos faz ver.

No mesmo instante em que a frase era dita percebia-se o quão estúpida era. Assim respondeu o cego:

-Caro senhor, sou cego por toda a minha vida. Entendo que ver seja uma forma de percepção

porém não posso compreender a luz.

Um outro homem mais inclinado a ciência se pronunciou.

-Quando o fenômeno físico da luz incide sobre um objeto ele reflete em raios diferentes ondas eletromagnéticas que nos permitem distinguir diferentes padrões de cor e tonalidade.

A resposta um tanto precisa parecia levar mais informação para o cego, entretanto não melhorou substancialmente seu entendimento. Expressando esse sentimento o cego respondeu:

-Temo que não seja capaz de imaginar com são o que chamam de raios de luz e como revelam aos homens o que está ao seu redor.

Outro homem insistiu em aprofundar a resposta científica.

– Os raios de luz chegam aos olhos e dentro deles são recebidos por células especiais que os percebem e transmitem sinais nervosos para o cérebro que interpreta as informações e forma as imagens, que são representações da paisagem.

O cego replicou.

-Meus olhos são incapazes de captar e transmitir a luz até o meu cérebro e não compreendo o que entendem por paisagem. Para mim faz sentido o que escuto e o que percebo no meu caminho.

Outro homem que estava pensativo resolveu tomar uma atitude para ajudar o cego a imaginar a luz. Despejando a água em um recipiente no formato de uma bacia metálica rasa solicitou que o cego pousasse suas mãos sobre a superfície da água e continuou.

– Agora que tem suas mãos flutuando sobre a água sinta esse movimento.

O homem ondulou a água com as mãos fazendo ondas lentas e o cego sentia suas mãos subindo e descendo. Em seguida o homem anunciou que mudaria o movimento e fez ondas mais rápidas que fizeram, por sua vez, as mãos do cego subirem e descerem em intervalos mais curtos. Após essa demonstração o homem colocou:

– O que fazia suas mãos se moverem eram ondas provocadas por mim na água. A luz também se comporta como onda e como as ondas que moveram suas mãos podem ir depressa ou lentamente. Luzes de frequência alta são percebidas pelos nossos olhos de maneira diferente das de frequência baixa com aconteceu com as suas mãos se movendo sob a água.

Dessa vez o cego foi capaz de somar as explicações técnicas a uma experiência e começava a formar em sua mente uma ideia sobre a luz. Dessa vez o cego comentou.

– Agradeço por me ajudar a tentar compreender melhor a luz. Vivi minha vida toda com grande apoio do tato e agora que foi demonstrado através dele eu consigo formar uma ideia própria sobre a luz. Ainda assim eu tenho percebo que a vida de quem enxerga é muito mais simples do que a minha em relação à locomoção e comunicação. É difícil entender o papel da luz e como ela muda a vida daqueles que a percebem.

Tocado pelas palavras outro homem disse:

– A luz é importante na vida das pessoas por muitos motivos dentre eles podemos citar que é essencial para a vida, pensando que a luz solar faz as plantas crescerem. Além disso, é importante para o homem perceber o que está ao seu redor perceberem é o mundo físico e como sãos as pessoas .

O cego se sentiu um pouco ofendido nesse momento.

– Acredito que seja capaz de perceber tanto uma parcela do mundo físico quanto às pessoas ao meu redor. Percebo sinceridade e mentira na voz das pessoas que são ignoradas pela maioria das pessoas.

Outro homem respondeu.

-Usar a luz como meio de perceber as coisas muda nossa maneira de agir. Escolhemos objetos e até pessoas pela beleza percebida pela nossa visão. E mesmo com essa perspectiva controversa de que as escolhas baseadas na percepção da luz podem ser vazias o homem não culpa a luz por suas más escolhas. Associamos a luz a bondade, aos dias de sol, a pureza…

O sentimento na fala deste último homem tocou o cego e que agora tinha tanto uma perspectiva científica do fenômeno, empírica da demonstração e emocional a partir dessa última fala. Dando-se por satisfeito e aceitando suas limitações o cego se manifestou dizendo.

– É muito bonita a ideia que agora eu tenho sobre a luz e agradeço os esforços que fizeram para me ensinar sobre este fenômeno que eu nunca pude perceber.

O último homem após ouvir aquilo decidiu se pronunciar.

– Não sinta que a luz está distante de si e que não participa da sua existência Assim como o som que faz você perceber essas palavras. A luz existe, e ela age na sua vida a todo instante, seja no seu alimento que dependeu de luz para crescer seja na sua incapacidade de perceber a luz que o faz compreender melhor a emoções presentes na fala das pessoas. O que isso quer dizer é que independentemente de você conhecer ou não luz ela existe e ela faz com que as coisas sejam diferentes. Talvez a luz revele o mesmo objeto para a visão de muitos, porém a verdadeira percepção está no processamento das informações que é feitor por nós. O fenômeno e a percepção dele se distanciam a medida que não formam uma reposta absoluta sobre as coisas e fatos, mas sim versões de entendimentos e tentativas de compreensão. Cada sábio aqui da sua própria maneira se expressou sobre o mesmo fenômeno sobre o qual também não existe uma definição absoluta o que não diminui em nada sua existência. Nosso pouco entendimento sobre um fenômeno não nos distancia dos seus efeitos, apenas nos impede de fazer uso das sua potencialidades enquanto vagamos na ignorância.

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